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Robôs que salvam vidas no mar fazem testes em Lisboa (Público)

Estão equipados com sensores para a detecção de seres humanos

Oito náufragos poderiam ter sido salvos nesta sexta-feira em alto mar sem intervenção humana directa se fosse real o exercício que decorreu na Base Naval do Alfeite, Lisboa, envolvendo veículos telecomandados.

O exercício partiu de uma hipotética explosão num navio. Oito pessoas ficam no mar, em três locais diferentes. Um avião solar sobrevoa o local e envia informações para uma base, de onde parte depois um pequeno helicóptero, que além de tirar informações mais precisas atira coletes salva-vidas para os náufragos.

Da base parte depois uma embarcação também não tripulada, que já perto do local do acidente “dispara” algo parecido a um barco de brinquedo que transporta uma lancha insuflável. Já com a maior parte das pessoas fora de água chega ao local uma lancha que recupera todos os náufragos.

A intervenção humana deu-se ao longe e envolveu apenas um sistema de comunicações integrado naquilo que poderia ser uma mala de viagem. Pura ilusão, porque a “mala de viagem” é o “cérebro” de um projecto que custou à Europa 17 milhões de euros.

O projecto ICARUS (Integrated Components for Assisted Rescus and Unmanned Search Operations – Componentes Integradas para Assistência a Operações de Busca e Salvamento), está a ser desenvolvido por 24 entidades de nove países e ficará concluído até ao fim do ano.

É composto por robôs concebidos para salvar vidas em casos de catástrofes, seja em terra seja no mar. A componente marítima está a ser apresentada hoje e sexta-feira em Lisboa e a parte terrestre (por exemplo detectar sobreviventes ou entrar em edifícios em caso de sismo) foi apresentada na Bélgica.

“Quando do terramoto no japão seguido de tsunami (2011) foram usados vários recursos robóticos. A Europa abriu na altura um projecto de investigação” por não ter esses meios para fazer face a uma catástrofe, explicou à Lusa o director do Centro de Investigação Naval, Victor Lobo.

O projecto ICARUS, resumiu o responsável em declarações à Lusa, é composto por veículos aéreos e de superfície (só para cenário marítimo existem oito robôs), que podem ser controlados por uma única consola e um pequeno número de pessoas.

Rui Parreira, engenheiro mecânico da Escola Naval, adiantou também à Lusa que os robôs podem identificar corpos pelo calor, podem “ver” na escuridão, podem identificar vítimas e entregar apoio, e tudo através de uma única consola.

Se o exercício de hoje fosse real la estaria o UAV, o avião solar, com autonomia superior a 24 horas, a mandar as primeiras informações, depois o “quadrotor”, a filmar e a deixar cair coletes salva-vidas, depois o Roaz, um navio de 3,5 metros equipado com uma balsa insuflável.

“O Roaz pode ser programado pelo ICARUS ou comandado por um joystick. Tem autonomia para 20 a 30 quilómetros”, explicou à Lusa um dos seus criadores, Aníbal Matos, do INESC TEC – Tecnologia e Ciência.

E lá estaria depois uma lancha de 1,5 toneladas, concebida por italianos e que pode atingir quase 80 quilómetros por hora.

E se fosse um edifício em risco de desabar na sequência de um sismo lá estaria um “multicopter”, um muito pequeno “avião” para detectar sobreviventes, ou o UEV, uma espécie de também pequeno carro de combate.

Rui Parreira não contém o entusiasmo. O “quadrotor” pode ser usado para salvar pessoas nas praias, exemplifica. E não duvida que em breve muitas pessoas podem ser salvas por nenhuma pessoa.

Público online, 9 de julho de 2013

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