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Cancro chega às redes sociais (Visão)

O mundo mudou – e o cancro também. O medo da palavra deu lugar à necessidade de falar sobre a doença. A morte certa foi substituída pela convivência com um mal crónico. Abriu-se o caminho para a criação de uma rede social para partilha de experiências entre doentes oncológicos

Falarsobrecancro.org. O nome diz tudo. O novo site serve para se falar da doença, mas também para esquecer tabus.

Porque a informação é já muita, mas a partilha de sentimentos nem por isso, Nuno Martins, especialista em design de comunicação, decidiu trabalhar numa plataforma que pudesse ser sobre vida – mesmo quando o pano de fundo é o cancro. “Queria um sítio onde as pessoas pudessem falar sobre cancro. Mas, mais ainda, onde a palavra não fosse sinónimo de morte. No IPO respira-se vida. Há lanços, solidariedade e esperança”.

Nuno Martins aprendeu isso com a morte de um avô com cancro, que acabaria por levá-lo a estudar a doença. Primeiro veio o mestrado em oncologia infantil, depois o doutoramento sobre o papel das redes sociais na área do cancro. Daí à proposta de um sítio para partilha de informações e sensações foi um passo curto. Mais difícil foi a concretização. Porque Nuno Martins não queria apenas mais um sítio, “queria que estivesse associado a uma instituição de referência”.

Depois de muitas reuniões com médicos e doentes, o projeto avançou com uma equipa de seis pessoas de três instituições: Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores e Universidade do Minho.

E o resultado foi imediato. “Criou-se já uma comunidade que vai lá diariamente”. Lançado hoje, o sítio, de registo obrigatório, tem já 600 seguidores. Uns dizem que ainda não estão “preparados para falar”. Outros partilham piadas, medos e sensações. Ou seja: “Os doentes interagem entre si”, conclui Nuno Martins.

Objetivo cumprido, portanto. “Sabemos hoje que a comunicação faz parte da boa prática do tratamento do cancro”, disse à VISÃO Laranja Pontes, presidente do conselho de administração do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto.

Mesmo assim, pretende-se que o sítio seja mais do que um local de desabafos. Além dos doentes, também um grupo de médicos partilha informação pertinente sobre a segunda causa de morte em Portugal (depois das doenças cardiovasculares). “Os nossos especialistas da área da psico-oncologia estarão atentos às partilhas e contactam os profissionais para escreverem textos que ajudem a esclarecer as dúvidas que surjam na comunidade sobre cancro”, acrescenta Laranja Pontes.

A doença mudou – “tornou-se crónica em muitas situações” - e os doentes também - “antes tinham medo de falar, hoje partilham muita coisa nas redes sociais”. E isso obrigou o próprio IPO a mudar também: “Há 7 anos abandonámos o símbolo do caranguejo porque não nos sentíamos conotados com a morte. Estávamos mais virados para a vida e a esperança”.

O lançamento do novo sítio de partilha sobre doenças oncológicas pode ser a prova de que estavam certos.

Visão, 21 de janeiro de 2016

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